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sábado, 14 de abril de 2012

Amar o inimigo?




Algumas capas da Revista Sorriso são especiais para mim. Elas se tornam especiais porque registram um momento, um sentimento que acalentava enquanto elaborava o desenho.
Os temas bíblicos são, de uma forma geral, muito subjetivos e transformar um sentimento em imagem é sempre reduzir sua abrangência.
Nesta capa (3T-2010) o desafio era ilustrar a proclamação do Evangelho e mostrar que o amor de Deus atinge a todos os povos. Estávamos em ano de Copa do Mundo e eu, amante de futebol, não estava gostando do time escalado e nem pela forma de jogar da nossa seleção. Nossa arquirrival, a Argentina, era comandada pelo grande Maradona e nossa seleção pelo pseudotécnico, Dunga. Os argentinos quase ficaram de fora da Copa e o maior interesse da mídia era mostrar que os nossos vizinhos estavam desorganizados e nós, ao contrário disso, tínhamos um padrão de jogo definido. Estava vivendo essa dupla expectativa: não gostar do nosso time e, ao mesmo tempo, torcer para que o grande rival quebrasse a cara. Aí, no meio desse mal humor e decepção, recebo o tema da Revista e o desafio de mostrar para as crianças, através do desenho, que o amor de Deus é para todos. Pronto levei ‘cartão amarelo’ e perdi de goleada para o princípio bíblico. Desenhei o Léo, goleiro, falando de Jesus para um argentino que o havia machucado (contei isso na História em quadrinhos). E, sem querer, acabei me antecipando porque os dois times ‘morreram abraçados’, ou seja, foram desclassificados juntos nas 4as de final da Copa do Mundo da África do Sul.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Salmo 23 – Revista Sorriso 1











Desenvolvi seis desenhos para ocupar a 4ª capa da Revista Sorriso baseados no salmo de Davi mais famoso, o Salmo vinte e três. Tentei fazer, por meio dos desenhos, uma releitura do salmo trazendo os princípios para o contexto do mundo infantil.
Algumas vezes quanto penso na descartabilidade desses desenhos, da publicação que tem um período de vida definido, confesso que dá uma pontinha de tristeza. O exercício que faço, nesses momentos, é o de focar no público alvo, nas crianças que vão, ainda que rapidamente, conviver com a imagem e o que penso do salmo.
Toda vez que uma nova Revista chega, peço a Deus para me alimentar dessa doce utopia de acreditar que alguém, em algum lugar muito distante de mim, será abençoado ou estimulado a refletir, confiar ou relembrar a sabedoria registrada nas Escrituras.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Como desenvolvo ilustrações para um livro infantil





Um dos maiores prazeres que tenho na vida é desenhar, especialmente recontar histórias com desenhos. Compartilho com você como desenvolvo esse trabalho.
Pego o texto e leio, pelo menos, três vezes. Faço a primeira leitura só por prazer. A segunda leitura é mais crítica. Nesta leitura é preciso pensar no autor, no foco da história, na forma, no público que vai ler esse texto. A terceira leitura é gráfica. Destaco o ritmo do enredo e o divido nos pedaços correspondentes às páginas.
Com o texto em mente e nas mãos elaboro uma seqüência das páginas em miniatura, marcando o clima e a paginação. Aqui nasce a fusão de texto e imagem.
Essa é a etapa da pesquisa. Separo referências. Referência de ambientação, de indumentária, de iluminação e também, se for o caso, iconografia histórica. É também nesse momento que defino a técnica que vou utilizar.
Agora, a partir desses primeiros rabiscos, faço o desenho de cada página dupla separadamente. Desenho os personagens. Desenho uma, duas, três... Até achar bom (o que é difícil). Algumas vezes crio uma história visual – noutra postagem falarei sobre isso.
Compartilho com o autor e editora esses desenhos em forma de ‘boneco’ com a seqüência que será impressa. Nesse estágio sempre rola um debate, uma troca de idéias. É o momento mais rico de todo processo.
Nesta postagem um modelo - O MENINO BRIGÃO QUE VIROU UM AMIGÃO - desenhado à lápis e também a página finalizada.
Qualquer hora dessas continuarei esse confessionário....

terça-feira, 27 de março de 2012

Sketchbook - Zona de conforto??

Sou um apaixonado pelas histórias bíblicas.
Essa história de Bartimeu andou me incomodando muito tempo.
Um cego, dois cegos? Bartimeu=filho de Timeu
O que me afeta é a coragem, a disposição desse excluído de enfrentar não apenas a multidão, mas também sua própria limitação. É claro que tenho dificuldade de pensar que aquela condição pode ser rotulada de 'zona de conforto". Mas, quanta coragem, quanta sensibilidade para aproveitar a oportunidade e sair daquela vidinha! Todos daquela comunidade, daquele tempo sabiam e ouviam da promessa do Messias. Mas quantos se agarraram tanto quanto esse Bartimeu?
Estava no ônibus com meu sketchbook dentro da mochila, tomei coragem e comecei a rabiscar o Bartimeu que povoava minha mente. Acho que a gente que gosta de desenhar histórias acaba fazendo, mesmo sem querer, terapia e se alivia ou se angustia desenhando.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Chiclete Book


Aderi ao sketchbook. Nome super esquisito em nossa terra Tupiniquim.
Chiclete book? Esquete book?
A melhor definição foi dada, como sempre, por um amiguinho pré-adolescente da igreja.
Chiclete book é livro de mastigar?
Pois eu acho que ele estava certo. É isso mesmo.
A gente mastiga, mastiga e não engole. A gente pode até fazer bola e se divertir um bocado.
A própria mastigação do chiclete dá uma sensação de saciedade e, no mínimo, um bocado de sede. No caso do 'chiclete book', sede de desenhar de verdade, sede de continuar aprendendo.
A arte é ciumenta, gulosa e exclusivista. Para ter intimidade com ela é preciso entrega, entrega total!!

Revista pre-adolescentes Metodista