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quinta-feira, 17 de março de 2016

Orquestra de câmara IBBT

A música me encanta.
Encantar, segundo o dicionário, é cativar, seduzir, fascinar, agradar extremamente.
Ter oportunidade de ouvir é raro nesse mundo de múltiplos ruídos.
A arte, especialmente a música, tem o poder de nos carregar no colo.
A música sempre foi uma grande ferramenta da religião.
A polifonia é a cromatização sonora. Ela ensina o respeito e o ajuste das diferenças. Até o dissonante dinamiza e compõe. O som produzido por uma orquestra é o máximo deste princípio. Cordas, sopro, percussão...
Fui, mais uma vez, acariciado com boa música na igreja.

Os músicos dominam os instrumentos, transformam sinais em sons e servem como condutores no mistério de encantar. Seduzido me arrisco a ir além da definição do dicionário: Encantar é embelezar a alma. Embelezar é tornar belo, agradável, equilibrado. Como pensar na Beleza sem adorar? Adorar o supremo bem, a beleza maior, o Criador.

Infelizmente transformamos o espaço litúrgico em gritos, alaridos, coreografia e histeria. Apelamos. 
Quero mais arte, mais encanto, o bom canto, um canto para ouvir.




O Ministério da Educação adverte:
O acesso à cultura estimula a reflexão e a compreensão da realidade, além do respeito à diversidade, o reconhecimento da identidade e a plena cidadania. Tudo isso é uma melhoria na qualidade de vida de todos os brasileiros. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Reflexo, reflexo, reflexo...

Reflexo. Um sketchbook é um reflexo.
Reflexo pode ser algo que se faz por meio do raciocínio, de reflexão.
Reflexo também pode ser uma reação involuntária.
Reflexo ainda pode ser uma irradiação luminosa.

Um sketchbook é um reflexo. O meu é. Estou completando mais um 'caderno de rabiscos'. Quando folheio suas páginas me vejo como diante de um espelho, encarando reflexos. Alguns 'rabiscos' não são mais do que reflexos (impulsos) que parecem involuntários. Escolhas que faço de passageiros num coletivo, de textos bíblicos, de personagens imaginários... tudo parece coisa sem pensar, sem reflexão (raciocínio). Só agora, folheando o sketch quase todo preenchido, vejo que esses rabiscos são reflexos (irradiação luminosa). E, de novo, reflito: o que me conduz, ou seduz, a escolher este e não aquele, esta ou aquela? 
Não sei. São reflexos. De alguma forma me vejo refletido. Também observo, mesmo sem entender, que tudo isso são fragmentos, reflexos dos sentimentos que ficaram ali registrados, agarrados, presos num pedaço de papel, um pedaço de humanidade.





'Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido.'
Paulo, o apóstolo, poetizando sobre o Amor.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

'Aquarela é como mulher'

'Aquarela é como mulher'. Esta foi uma das frases do mestre Cárcamo para abrir o workshop de sábado passado em São Paulo. Em seguida, explicou sua perspectiva:
'Mulher precisa de atenção, de cuidado, de constante observação porque, do contrário, ela te deixa. O mesmo acontece com aquarela'.
Gostei da metáfora. Em minhas anotações acrescentei: Mulher e aquarela têm ligação direta com o tempo, com o ambiente, com sentimento e a delicadeza. Elas possuem brilho e luminosidade sedutora em seu aglutinante. Elas exigem equilíbrio entre algo comum, como a água, e o incomum químico como as multiplicidade de misturas. No fundo você nunca domina, nem uma nem a outra mas, se você for sábio vai se relacionar, aprender e crescer junto com elas. Além disso, tanto a mulher quanto a aquarela, sempre te surpreendem.

Por essas e outras, tive a honra de participar de um workshop com o grande mestre, Gonzalo Cárcamo.
Artista dedicado à aquarela com uma obra lindíssima e uma pessoa doce nesse 'mundo de marrentos'. Compartilhou um pouco de sua grande experiência e, de quebra pude conhecer um bocado de gente desse universo artístico. Já havia participado do curso com o grande Celso Mathias e de uma 'demonstração' feita pelo Renato Alarcão em seu Diário Gráfico. Achei interessante observar as diferenças de manuseio do material e a técnica de ensino de artistas gigantes como Celso Mathias e Cárcamo. Duas pessoas incríveis que carregam diferenças na expressão e preferências cromática muito particulares mas que afinam em algumas frases e posturas. Resolvi registrar conceitos apreendidos nessas experiências, para eu não esquecer:
1. A técnica, a arte exige dedicação e envolvimento
2. Não use cores puras. A natureza é feita da 'mistura'.
3. Ouse! Experimente! Se dê o direito e respeite o erro!
4. O segredo da aquarela é o suporte. Nada de papel vagabundo!
5. Aguce o olhar. Quem disse que o céu é só azul? Olhe novamente.
6. Foque no seu trabalho, em sua evolução. Nunca se compare a outros, você é único.
7. Qual o preço para 30 anos de dedicação que resultam em 30 minutos de pintura?
8. Olhe para o resultado do seu trabalho como um degrau, nunca como um pódio.
9. Cuide de seu material com ciúme e zelo.
10. Só se esconde o que se tem medo de perder! Dom é dádiva, presente. exercite!










sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Não farás imagem. Será?

Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, 
nem alguma semelhança do que há em cima nos céus,
 
nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; 
porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso.

Com certeza você já ouviu falar do mandamento 'não farás para ti imagem', não é? Será que é isso mesmo ou esse é um 'recorte' do texto? Se é um 'recorte' por que o interesse de retirá-lo do restante do texto que, na realidade é concluído no versículo seguinte? (em negrito) Creio que a questão não é o fazer ou não fazer imagens. A essência do texto, a intenção do autor é não tentar produzir imagens que substituam o que não pode ser substituído, que não haja esforço para dar contorno ao que não tem forma. Deus é Espírito.
É crendo no principio de que a Bíblia explica a própria Bíblia, é fácil entender esse argumento quando leio, no próprio texto de Êxodo, que Deus orientou Moisés a fazer imagem. Veja só:
Farás também dois querubins de ouro; 
de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.

E, no mesmo ambiente, ainda no deserto, temos o registro do Senhor orientando Moisés para a elaborar de uma escultura que reproduzisse uma serpente: 
E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; 
e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, 
quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.

Para reforçar ainda mais o raciocínio, foi o próprio Deus quem chamou e habilitou artistas para executarem a tarefa da construção e do desenvolvimento artístico de todo Tabernáculo - que metaforizava a presença dEle no meio do povo.
Disse então o Senhor a Moisés:
"Eu escolhi a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhes destreza,
habilidade e plena capacidade artística
para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze,
para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e
executar todo tipo de obra artesanal.
Êxodo 31.1-5
Desculpe mas não tem essa de 'não fazer imagem'. Deus, O Grande Artista, que mostra quem é pelo que fez e faz (Sl 19) não iria 'deletar' essa característica tão marcante do único ser que foi criado à sua imagem. Sendo assim, por que esse 'massacre' que recebi na igreja e que está tão enraizado em nossa cultura judaico-cristã? Tento responder pensando na História e nas 'ferramentas' de dominação humana. Para criar criar, para ser artista é necessário pensar. Nada mais fácil para 'os poderosos' que 'ensinar' e reproduzir muitas e muitas vezes uma 'meia verdade' de que não fazer arte é imposição da Lei divina. Em minha leitura bíblica não vejo razão nenhuma para esta interpretação. Muito ao contrário disso, Deus tem prazer em estimular à reflexão:
"Por que vocês se preocupam com roupas?
Vejam como crescem os lírios do campo.
Eles não trabalham nem tecem.
Ou como o próprio Cristo nos valoriza como seres pensantes;
"O que está escrito na Lei? ", respondeu Jesus. "Como você a lê? "

Quanto a mim, vou continuar louvando a Deus com o que tenho e sou. Só para deixar claro o que penso: Louvar é elogiar. Elogiar com a vida é imitar, é ter como referência. Adorar é expressar abertamente. Faço isso com um pouquinho de desenho, com minha arte, com a vida.

Coração do Artista 5

O coração do artista (parte 5 - fim)


Arte Bizantina – abstração e sonelidade


Arte Gótica – Grandiosidade divina- fragilidade humana
Catedral Sainte-Chapelle é uma capela gótica que fica em Paris


Arte Renascentista – o homem é a referência é a medida de tudo.
Deus fica em segundo plano. As referências cientifico-anatômicas são definidas. A busca e o retorno aos gregos e aos romanos na literatura, na arquitetura, nas artes plásticas.
Michelangelo – a criação

O Barroco – Reforma Protestante. 
O tema das pinturas deixa de ser os santos, deixa de ser Deus (Deus não pode ser retratado). Os pintores 'migram' para o retrato. O ser humano é a imagem de Deus e precisa ser dignificado como tal.
Rembrandt van Rijn (1606/1669) pintor holandês. 
Valorização da ciência e do retrato


Johannes Vermeer foi mais um dos grandes pintores da Escola holandesa (1632/1675) – O protestantismo vai valorizar o trabalho e apresentar o ser humano como agente divino no mundo. Trabalho, lucro, cientificidade no encontro com a leitura, no fazer e no dever.



Do outro lado a resistência às ideias da Reforma. Barroco da Contra-Reforma
O drama, a emoção, a teatralidade valorizando o sagrado, a Igreja.
As imagens são fáceis de 'ler', de sentir, de ver.


Caravaggio (1571/1610) pintor italiano atuante em Roma – Arte teatral e didática


Depois de um salto pelo Maneirismo o paradigma da arte é quebrado com a 
Arte Impressionista – Iluminismo e grandes descobertas. Pintar retrato quando surge uma tecnologia 'muito fiel' ao modelo - a fotografia. O que sobra para a pintura? A cor a impressão o registro do mundo fora do ateliê.


Monet (1840 /1926) pintor francês, dentre tantos, um grande marco do Impressionismo.
O quatro acima dá nome ao 'movimento' Impressão, nascer do sol'(1873), dá 'apelido' à Arte Impressionista.

Arte Expressionista – Existencialismo e a crise do homem. Deixando de se 'ancorar' em Deus, relativizado pela ciência o que é o ser humano?



Vincent Van Gogh (1853 /1890) mais um holandês.


Arte Surrealista – é preciso registrar os sonhos. A resposta está nos sonhos? Influencia de Freud e Charles Darwin.

Salvador Dalí (1904/1989) pintor espanhol

René Magritte (1898/1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas.


Arte cubista – tudo é rápido, dinâmico, poderoso. Sofre a forte influencia do cinema e os horrores da guerra. O ser humano é uma decepção.



Pablo Picasso (1881/1973), foi mais um dos grandes pintores vindos da Espanha.


Arte expressionista – o importante é gritar – uma reação ao positivismo


Edvard Munch (1863/1944), pintor norueguês


Arte dadaísta – a ‘morte’ da arte
Dada em francês signifique "cavalo de madeira", sua utilização marca o non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na fala de um bebê)

Marcel Duchamp (1887/1968) foi um pintor, escultor e poeta francês


Coração de Artista 4

O coração do artista (parte 4)
Palestra para Semana de artes Hans Rookmaaker da Primeira Igreja Batista Jardim Novo Realengo, RJ

Creio que este foi a perspectiva das artes até a chamada idade moderna. Tudo circulava em volta de Deus. Você já ouviu falar que o pensamento do mundo até o final da Idade Média era Teocentrico. Deus, o criador, estava no centro de tudo. Na período moderno, na época do Renascimento cultural o mundo passou a ser regido pelo antropocentrismo. Não é palavrão não irmão. Antro (homem) de onde vem a palavra antropologia. O homem passa a levar em conta em primeiro lugar a razão. Pensamento livre de dogmas de explicação divina. O Renascimento é o mesmo período da Reforma Protestante. As circunstâncias ajudaram isso ocorrer. A Peste Negra, no século XIV, foi um dos maiores desastre biológico da história da humanidade dizimou. E a pergunta que foi feita naquela época em que se experimentava uma vida mítica, ou seja, uma vida mergulhadas em lendas, fantasias e discursos do tipo ‘reza que melhora’ e, logo em seguida o questionamento eu rezei e agora? Onde está o Deus que me ensinaram? Ou Deus não estava nem um pouco preocupado com o mundo ou o que foi ensinado não estava bem correto. Como pode ser isso? Deus nunca desvalorizou o pensamento humano. A questão é que pouquíssimas pessoas liam. Liam qualquer coisa, inclusive a Revelação Divina. Esta ‘peste’ era o apocalipse. Mais de 50% da população europeia morreu. A ciência estava envolvida na neblina da superstição e ignorância.
Releia o Gênesis ‘Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente.’
Gn 2:7 e também ‘Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão". Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1:26,27).
Observe, por favor, qual a palavra mais utilizada neste texto. Todos os livros da Lei, todos os livros históricos, todos os poéticos, enfim toda Bíblia valoriza o ser humano como criatura feita à imagem de Deus. Capaz de fazer escolhas, capaz de criar. Não esqueça, ou melhor releia o texto do versículo 27 do primeiro capítulo da Bíblia. ‘Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.’ O verbo em destaque é ‘criar’. Deus é criador e criou um ser semelhante a ele, ou seja, capaz de criar. O ser humano tem capacidade de criar. Todo ser humano deveria desenvolver isso. Mas você sabe que colocar o homem no centro de tudo é hipervalorizar o conhecimento humano. O bom senso o guardará, e o discernimento o protegerá.Pv 2:11
Nossa grande questão hoje é que estamos desconectados com Deus. A sociedade em que vivemos ‘usa Deus’ como um rótulo. Cola o rótulo em determinado lugar e diz ‘Deus está ali’. Normalmente gostamos de prender o rótulo num espelho e dizemos que estamos cultuando a Deus quando muitas vezes estamos nos idolatrando. Observe as músicas que cantamos. Onde está a soberania divina. Deus tem o compromisso de me atender? Não lemos mais a Bíblia. Estamos vivendo um novo período das trevas. Gostamos dos debates, das grandes programações, dos agitos ‘gospel’. O artista, o profeta é quem pode nos ajudar à refexão, ao pensamento à humanidade.
Artista é o retrato do seu tempo.
Vou deixar uma dica. DICA
D- de DOM – Deus te deu um talento, um presente, uma habilidade, uma semente potencia, um dom.
I – de Inteligência. Bote sua cabeça para pensar. Analise a situação em que você está, busque uma alternativa para dar solução, encontre uma forma para expressar claramente o que está sendo processado em você.
C – de Caráter. Artista de verdade sempre diz a verdade. Para ser artista é fundamental ser. O ser humano é único então seu trabalho vai denunciar quem você é. Não existe esse negócio de arte cristã. Existe arte. Existe arte feita por cristão. Adelia Prado num debate foi ‘rotulada’ de poeta cristã. Ela corrigiu na mesma hora. Sou poeta porque me expresso. Expresso o que sinto e o que tem dentro de mim. Minha fé está aqui dentro então ela aparece em minhas poesias.
A – de aplicação. Não existe arte sem transpiração. Transpiração dentro e fora. É fundamental estudar, estudar, estudar. Estudar as técnicas, estudar a história, estudar os artistas, estudar filosofia. Como você quer ser artista sem ‘sofrer’ a angustia da nota que não sai, do papel em branco, do bloco de mármore ainda sem forma, dos músculos cansados teimando não completar o movimento. Exemplo Nelson Freire, pianista brasileiro mineiro. Estuda mais de quatro horas por dia. Ele tem setenta anos e desde os cinco anos de idade estuda.  E o que dizer de João Carlos Martins?


Coração do Artista 3

O coração do artista (parte 3)
Palestra para Semana de artes Hans Rookmaaker da Primeira Igreja Batista Jardim Novo Realengo, RJ

Defendo a ideia de que o artista, o poeta se parece com o profeta. Poeta é aquele que processa o mundo e o transforma em produção artística e esta produção estimula a reflexão, o pensamento. Poeta da música, da pintura, da literatura... e o profeta é quem olha para o seu tempo e denuncia o que vai acontecer se continuarem aquele caminho. O ponto em comum é que ambos enxergam seu tempo e apontam para uma mudança, uma ‘metanoia’. Meta (além de)+ nous (pensamento, intelecto) no seu sentido original, significa mudar o próprio pensamento, mudar de ideia. Seria a mudança do que um indivíduo está vivenciando para um novo modo de viver.
Platão disse que, quando o poeta está realmente sendo poeta, ele está ‘inspirado’, ‘possuído’. Com isso, ele pretendia dizer que o poeta recebeu um ‘sopro divino’, pois a palavra em do Latim IN (em)+SPIRARE (respirar). Já o músico J. S. Bach, por sua vez, dizia que o principal para fazer uma obra de arte era o trabalho, mais di que a inspiração. Esse entendia de fazer arte.
Voltando ao paralelo entre profeta e poeta, pensemos no profeta Jonas, por exemplo. Ele foi chamado para pregar Nínive era a capital do país inimigo, dos odiados oponentes, dos ameaçadores. Deus manda Jonas ir pra lá para profetizar e pregar o arrependimento. O profeta não quer mas vai. Como sabemos disso? Sabemos pelas atitudes de Jonas. O que ele faz denuncia o que ele sente. Ele prega com muita má vontade e, por incrível que pareça, todos, inclusive o rei, se arrependem. O que o profeta diz? Ele afirma: eu já sabia! Deus seu caráter perdoador ‘quebraria o galho’ desse povo mau. O profeta fica triste se recolhe e tem a experiência da aboboreira. Naquela experiência, mais uma vez, Deus mostra ao profeta como ele age. Entendeu Jonas? A mesma coisa acontece com os demais profetas. Ele olha a atitude do seu povo e usa a orientação divina para mostrar o que está dando errado e vai ter consequências. O artista faz o mesmo. O artista é, assim como o profeta, qualquer um do meio do povo que se dispõe. Que é sensível à realidade de seu tempo, de sua vida e não aguenta de desejo de expressar isso de alguma forma.
Permitam-me, por favor, entrar aqui com a teoria de  Howard Gardner, desenvolvida na década de 80 por uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard. Segundo esse pesquisador existem nove tipos diferentes de inteligências. A inteligência Lógico-matemática, a Línguística, a Musical, a Espacial, a Corporal-cinestésica, a Intrapessoal, a Interpessoal, a Naturalista e a Existencial. E dai? Você deve estar me perguntando, não é? Daí que é muito bom uma teoria afirmar o que o senso comum já dizia com ‘cada um dá o que tem’, ou ‘ninguém é bom em tudo’. É o famoso ‘ninguém é burro de tudo’. Se não é burro de tudo também não é inteligente de todo. Por isso temos gente muito boa da linguagem matemática. Deve ter alguém bom nisso aqui, não é? Tem gente que gosta de números!! Tem gente que parece que nasceu ‘sacolejando’, não é mesmo? Outros falam com uma facilidade se expressam de maneira tão clara. Dizemos que isso é inato, que é talento. Artista é gente que tem talento.

Talento me faz recordar uma história contada por Jesus. Trabalho de casa: ler o texto de Mateus 25. O evangelista dos judeus registra que o Senhor compara o Reino a um senhor que distribui talentos. Todos ganham talentos para administrar. Na história os talentos são do Senhor. Talento é o nome de uma antiga moeda grega que representava 6000 denários/drácmas. Isso dá quase 17 anos de uma diária de um trabalhador. Você conhece a história. O que recebeu cinco entregou mais cinco. O que recebeu dois mais dois e o que recebeu um devolveu. Creio que damos muito destaque ao ‘grangear’ das versões antigas ou do ‘pão duro’ que enterrou o talento. Mas tem a dimensão do comportamento do dono da riqueza. Aos dois primeiros da história, você lembra o que ele disse? Entra o gozo do teu senhor. Sejam meus sócios, meus parceiros. O outro não faz por medo e não faz porque tem uma visão errada o senhor. Ele acha que o ‘senhor colhe onde não semeia e ajunta onde não espalha’. Este, segundo o autor, coloca o senhor como explorador injusto. Visão equivocada a quem foi confiado 17 anos de trabalho de um diarista. Talento é dádiva, ou melhor empréstimo. Empréstimo? É isso mesmo. O poeta, o artista bíblico afirmou que ‘Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem;’ Sl 24:1