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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Você 'tem que'...

Não gosto de receber ordens.
Respeito hierarquia e aprendi a me colocar no meu lugar.
Em alguns momentos da vida respeitei sem questionar e, nesse caso, sofria sozinho.
Disciplina. Caráter. Palavra honrada. Ordem.
Profissionalmente sempre fui submisso por respeito às estruturas.
Vivi mais de duas décadas recebendo ordens e avaliações que, sem dúvida, foram moldando meu caráter e, em alguns casos, me ensinando a ser mais eclético.' Forçava a barra' para atender aos pedidos que ouvia como imposição. Naquela perspectiva, era uma questão de sobrevivência. Só que esta postura pacífica e escravizante estavam, na verdade, me corroendo a alma. Nada disso que descrevi combina com arte, desenho e ilustração, não é mesmo? Acredite este era o meu trabalho profissional. Percebi que estava me destruindo. Não tinha mais prazer em rabiscar e me ocupava mais com a administração das datas - tempo em que chefiava o setor de artes. Foi nesse período de marasmo na produção que descobri o sketchbook. O nome aguçou minha curiosidade e percebi que havia um espaço para eu ser eu mesmo, sem deixar de lado minhas responsabilidades financeiras.
Comecei a dar ordens.
Respeitei a hierarquia - sou meu próprio chefe. Achei o meu lugar.
Continuo sofrendo sozinho mas dou valor à dúvida, à investigação.
Mais do que nunca é preciso disciplina. Caráter é o que a gente faz mesmo que ninguém esteja vendo ou cobrando. Palavra honrada, neste caso, é ser o que diz ser. Ordem tem dupla função. Cumprir uma tarefa e também organização.
Isto me faz acordar e pensar no que vou 'inventar' hoje ou, tenho que dar conta do que falei.
Foi o que acabei de fazer neste dia 27 de janeiro. Me impus a tarefa - independente da correria da empresa - de rabiscar temas bíblicos por 30 dias seguidos. Amei fazer isso. Em alguns dias não dei conta da empreitada em outros fiz mais de um desenho. Tudo isso tive que administrar de forma dura para cumprir meu compromisso. Não me comprometi com nenhuma pessoa. Meu compromisso é comigo mesmo. Tenho que assumir que em alguns momentos sou 'cruel comigo'. Eu e minha boca grande...



O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração".Lucas 6:45

domingo, 14 de agosto de 2016

Cura ou loucura?

Houve um tempo em que eu ficava muito impressionado com a profusão de temas que um artista desenvolve. Vi a 'compulsão' de um Van Gogh em produzir pinturas do campo e a morte tão precoce. Toulouse e Caravaggio que não chegaram aos quarenta anos, e produziram uma coleção vastíssima. E o Egon Schiele que morreu aos vinte e oito anos? Todos eles com uma produção e uma carreira ímpar. Mas, o que fez Van Gogh 'escolher' pintar suas paisagens? Egon, Toulouse registrarem, de forma tão sensual, 'suas mulheres'? E o que dizer da perspectiva tão próxima do humano, tão 'pé no chão', de um Caravaggio?
Já me perguntei diversas vezes: O que motivou essa gente a fazer o que faziam, de forma tão intensa e apaixonada? Tive oportunidade, de forma infantil, de perguntar a alguns artistas: por que você escolheu este tema? E a resposta, ainda que um pouco difusa, era: 'isso é o que me afeta'.
Encontrei, para consolo de minha reflexão, alguns argumentos. Reflexões muito minhas e argumentos livres muito, muito pessoais.
Em primeiro lugar creio que estes artistas eram apaixonados. Apaixonados pela arte, apaixonados pela vida. A palavra paixão vem do latim 'passione'. Ato de suportar, de sofrer. O paralelo disso, na língua grega é o 'pathos', donde vem patologia. Sendo assim, creio que a paixão desses artistas era uma 'droga'. A droga donde que pode surgir cura ou trazer doença.
Entendo também que, para quem está 'movido pela paixão', não há, como pensava anteriormente, 'profusão de temas'. Eles são monotemáticos ou, pelo menos, focados em 'fases', em períodos de vida.
Outra observação que faço é que suas 'melhores obras' estavam livres. Livres das amarras e imposições éticas -  leia-se contratos - e financeiras - entenda como medo do amanhã.
Por que afinal resolvi escrever sobre isso? O que está me incomodando?
A resposta é simples. Paixão.
Estou, mesmo depois de velho, vivendo este momento de paixão. Não tenho dificuldade com os temas e, ao contrário disso, quero desvendar novos mistérios. Mistérios relacionados à produção de textos, aquarela, desenho...
Fundamental agora - pensar nisso é o primeiro passo - é me dar o direito de expressão. Quero deixar registrado que o desafio é aceitar a limitação e viver a 'paixão pela vida'. A minha vida, o que me envolve, o que me comove, o que me encanta e, até mesmo o desencanto. A arte desses 'mitos' é a vida deles. Menos técnica - ela é 'só' um meio e não um fim -  e mais respeito à sua história, seus valores, seus amores e desamores. Quem sabe este seja o caminho da cura? Ou será da loucura?

Skechbook Aquacenter - enquanto espero a hidroterapia da Marilia

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eu, Prometeu e Frankenstein

Frankenstein é um romance escrito por Mary Sheller em 1816 . Uma britânica que tinha apenas dezenove anos quando registrou este drama humano utilizando um terror gótico. Nunca fui simpático a romance e muito menos ao gênero de terror. Stephen Ling, aclamado autor desse tipo de literatura, relaciona três grandes pilares da literatura de terror: Drácula, Dr Jakyll e Hyde e Frankenstein. Tenho que confessar que não foi isso que me impulsionou a escrever e fazer o 'rabisco' que publico aqui. O que me causou espanto foi saber que o título original do livro é Frankenstein ou o moderno Prometeu'. Prometeu, já publiquei aqui, me encanta. A história mitológica tem intima relação com as artes e, de uma forma geral, com a humanidade. Sendo assim, tentei entender a relação do título origina com a história da Mitologia grega.
Descobri que foi a tentativa de se igualar a um poder supremo que fez com que ambos, Frankenstein e Prometeu sofressem punição interna e eterna. Voltando um pouco, antes da história mitológica da Grécia antiga, o primeiro livro das Escrituras denuncia esse mesmo desejo que abraça Prometeu e Franlenstein. É o 'pecado original' descrito no Gênesis. Queremos ser deuses. Desejamos o controle absoluto. O poder total é a nossa ambição primeira. Ainda que tenhamos algum conhecimento e a imagem divina esteja impressa em nós, isso não basta. Seguir esta sedução é estar mergulhado na 'queda'. É duro mas precisamos admitir que somos limitados. Olhar para o espelho interior e encarar isso. Interessante mesmo é perceber que justamente a finitude e a limitação é o que nos torna humanos. Esta 'marra' que nos afasta de Deus nos presenteou com a angústia. Angústia de Prometeu, angústia de Frankenstein, minha angústia.


Ele fez tudo apropriado a seu tempo. 
Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade;
 mesmo assim este não consegue compreender inteiramente 
o que Deus fez.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Olhai as aves do céu.

'A repetição tem como sentido alimentar o que esperamos e nem sempre conseguimos nomear. Quando repetimos colocamo-nos em prontidão".
Optei por reproduzir e reler para apreender o que já foi dominado por outro artista. A sensação que tenho é que estou como uma criança que, na areia da praia, tenta seguir as pegadas o pai.

As aquarelas de Tilen Ti logo me encheram os olhos e hipnotizaram nessa sua liberdade expressiva, denunciada pelas suas manchas. Ele é da Malásia e estudou na Saito Academy of Art. É impossível 'copiar' este estilo e, por isso mesmo, faço releituras sonhando alçar voos independentes.

'Olhai as aves do céu...", orientou o mestre.

Papel Canson - Grain Fin, 300g. Formato 20x28cm




quarta-feira, 29 de junho de 2016

A caminhada se faz com o pé na estrada e cabeça no lugar - Aquarela

Destaquei estes dois momentos de exercícios para mostrar, por experiência própria, que quem deseja se 'aventurar' no mundo da pintura não pode ficar apenas com a informação teórica. É imperativo praticar. Sei que toda teoria é fruto de uma prática. A prática catalogada, e aceita como realidade, vira teoria. E daí? Daí que é exatamente por isso que a mina prática deve ser construída com o diálogo entre a teoria clássica (experiencia de quem já experimentou) e o exercício. Percebo também que algumas afirmações podem encontrar, maior ou menor resistência, por conta dos vícios adquiridos. No meu caso, não poucas vezes, usei as cores a partir de paletas pre-determinadas pela impressão gráfica. Depois que concluí o quarto execício, decidi me exercitar, neste primeiro momento, reproduzindo aquarelas e não fotografias. Fiz isso porque percebi que existe um abismo entre tentar reproduzir uma aquarela e uma fotografia.



 Aprender a olhar também é um exercício.
Aquarelas, como as que apresentei acima, são interpretações. Reproduzi-las é tentar 'desvendar' o caminho do artista. Tenho consciência de que a fotografia deve ser usada como referência. Sei também que uma pintura não é uma cópia do real, mas um olhar sobre a realidade. Também já entendo que o próprio enquadramento fotográfico é um 'recorte' da realidade e que o ideal é o Plein Air., mas isso é um caminhada. Os exercícios que apresento abaixo, que foram os primeiros, tentei reproduzir fotografias mas a falta de domínio técnico, fez com que as figuras ficassem 'duras' e as manchas do fundo sem emoção.




Além disso tudo, foi catalogando as imagens que percebi, que o exercício deve ser transformado em prazer. Cumprir uma 'tarefa' sem enfrentar os desafios que a técnica exige é desvalorizar a vida.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Reflexão sobre disciplina e exercícios

Poucas vezes me perguntei porque o exercício físico é bom para o corpo mas lembro muito bem, que fiz isso inúmeras vezes diante dos 'famigerados' exercícios matemáticos, que naturalmente a gente faz na escola. Para mim é muito claro que isso ocorreu porque não gosto, nem um pouco, de matemática. Interessante é gostar do exercício físico mas não ser seduzido pelo ambiente de uma 'academia'.
O que chamamos de 'academia', curiosamente estava ligado à reuniões filosóficas num jardim. Assim reuniões de grupos específicos carregam o rótulo de academia. A academia que não me atrai é a academia de ginástica. Talvez por gostar da atividade física mas não ter o corpo esculpido como as estátuas gregas. (kkk) Uma academia de ginástica é mesmo um espetáculo de belezas 'da carne' e eu me recolho à minha insignificância. Mas, neste universo atlético, nada é tão impactante quanto o desempenho de um atleta, a excelência muscular específica de cada modalidade, numa olimpíada.
Penso mais ou menos a mesma coisa quando acompanho debates acadêmicos promovidas em universidades. Fico fascinado com tamanha eloquência, conhecimento, profundidade e conexões que novamente nutro sentimentos de reduzidíssima capacidade intelectual. Volto, de encontros como estes, bombardeado de tantas informações e penso: como o ser humano é capaz de elaborar tantas alternativas e pensamentos! Confesso que isso também me encanta.
Gosto de me exercitar, gosto de ler, gosto de inventar, gosto muito de desenhar mas nada para ser comparado a excelência que se encontra numa dessas academias. Meus exercícios estão muito mais próximos de quem gosta de fazer comida ou arrumar a casa - há quem goste - e sente prazer ao executar estas tarefas.

Estou adquirindo o gosto de pintar. Afirmo desta maneira direta para me convencer do que quero e, ao dizer, transformo minhas palavras em compromisso. Desculpe, cada pessoa é de um jeito e, para mim, e esse tipo de autodisciplina imposta, transforma-se em desfio interior. Este compartilhamento em forma de texto me ajuda a organizar pensamentos e sentimentos.
Exercitar o corpo é natural do ser humano. Não fomos feitos para ficar sentados numa cadeira o dia inteiro. Temos capacidade de andar e andamos muito, muito pouco. Podemos movimentar nosso corpo de várias formas e, por não fazer isso, 'enferrujamos'. Enferrujamos também nossa mente quando deixamos de lado a leitura, a reflexão, o conhecimento. E o que dizer de quem se diz apaixonado por desenho e não desenha? Você conhece alguém assim? Afinal, do que você gosta? Você é o que você faz! Se isto é verdade, o que você anda fazendo? Foi a pergunta que fiz diante do espelho quando estes pensamentos vieram, hoje cedo, como um turbilhão. Isso me ajudou a começar a organizar os exercícios de disciplina que comecei a fazer. Já são dez salmos reescritos e eu me surpreendo com isso. Uma semana inteira separando um tempinho para exercitar a aquarela e já estou excitado.
Que tal começar a definir o que você faz, independente de remuneração, para descobrir quem você é ou o que você ama. É preciso refletir sobre o que disse Jesus, o grande mestre:
'Seu coração sempre está no que é tesouro para você'.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Disciplina é coisa de artista

'Se você é artista, me mostre suas artes."
Foi o que ouvi do meu chefe na primeira semana de trabalho, depois que troquei o meu primeiro emprego em busca de realização financeira. Deixei para trás oito anos de JUERP, onde ilustrava cinco revistas trimestrais para estudos bíblicos, para receber financeiramente mais que o dobro fazendo past-up (diagramação manual de artes gráficas) na ELEÁ - editora de revistas médicas. Depois deste incômodo desafio e dúvida, reuni algumas revistas impressas, uns desenhos inacabados e levei para mostrar. O 'chefe' foi legal, me elogiou e deixou claro que não foi contratado para fazer 'desenhosinhos de igreja'. Continuei com a 'pose' de artista mas nunca esqueci as palavras do Claudio, meu chefe - "se você é artista, mostre suas artes" - que mais tarde, veio a ser um amigo-conselheiro, incentivador de minha formação.
Ouvi milhares de vezes - e isso não é força de expressão - que 'artista é assim mesmo...', sempre dando a ideia de que artista é despreocupado, irresponsável, desconectado do mundo que o cerca. Infelizmente, essa falsa ideia propaga uma mentira e reduz, em muito, nossa capacidade. Quem nunca ouviu ou falou 'esse cara tem muito talento", quando testemunha alguma expressão artística.
Depois de 'coroa', ainda apaixonado pela arte,mas consciente de que sabe pouco desse universo artístico, acho que posso afirmar, por experiência de caminhada, que DISCIPLINA É QUALIDADE DE ARTISTA.
É inegável que o artista é 'movidos pela paixão', mas não dá para ser artista sem ser artesão.
Como sustentar um discurso de amor pela arte, pelo desenho, pela música, pintura ou qualquer outro elemento do universo das artes sem comprometimento com a disciplina? Sem ela" não vamos até à esquina". Quem se propõe a tocar um instrumento, tem que tocar. Quem diz que gosta de desenhar tem que desenhar - sempre. E não há desculpas para quem realmente é apaixonado.
Não há um curso que eu tenha feito - duvido que você também não tenha experimentado isso - em que o professor não tenha deixado claro que é a tarefa, o fazer, a caminhada, o exercício que nos apresentará a excelência.
Isso não é um discurso. Isso é uma reflexão. Quando escrevo, organizo os pedaços soltos na 'caixola' e falo, primeiro para mim mesmo, até porque duvido muito que alguém se importe com minhas elucubrações.



Meu compromisso:
Um versículo dos Salmos - https://www.facebook.com/cafeebiblia/;
Um exercício em aquarela;
Um rabisco no sketchbook.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Orquestra de câmara IBBT

A música me encanta.
Encantar, segundo o dicionário, é cativar, seduzir, fascinar, agradar extremamente.
Ter oportunidade de ouvir é raro nesse mundo de múltiplos ruídos.
A arte, especialmente a música, tem o poder de nos carregar no colo.
A música sempre foi uma grande ferramenta da religião.
A polifonia é a cromatização sonora. Ela ensina o respeito e o ajuste das diferenças. Até o dissonante dinamiza e compõe. O som produzido por uma orquestra é o máximo deste princípio. Cordas, sopro, percussão...
Fui, mais uma vez, acariciado com boa música na igreja.

Os músicos dominam os instrumentos, transformam sinais em sons e servem como condutores no mistério de encantar. Seduzido me arrisco a ir além da definição do dicionário: Encantar é embelezar a alma. Embelezar é tornar belo, agradável, equilibrado. Como pensar na Beleza sem adorar? Adorar o supremo bem, a beleza maior, o Criador.

Infelizmente transformamos o espaço litúrgico em gritos, alaridos, coreografia e histeria. Apelamos. 
Quero mais arte, mais encanto, o bom canto, um canto para ouvir.




O Ministério da Educação adverte:
O acesso à cultura estimula a reflexão e a compreensão da realidade, além do respeito à diversidade, o reconhecimento da identidade e a plena cidadania. Tudo isso é uma melhoria na qualidade de vida de todos os brasileiros. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Reflexo, reflexo, reflexo...

Reflexo. Um sketchbook é um reflexo.
Reflexo pode ser algo que se faz por meio do raciocínio, de reflexão.
Reflexo também pode ser uma reação involuntária.
Reflexo ainda pode ser uma irradiação luminosa.

Um sketchbook é um reflexo. O meu é. Estou completando mais um 'caderno de rabiscos'. Quando folheio suas páginas me vejo como diante de um espelho, encarando reflexos. Alguns 'rabiscos' não são mais do que reflexos (impulsos) que parecem involuntários. Escolhas que faço de passageiros num coletivo, de textos bíblicos, de personagens imaginários... tudo parece coisa sem pensar, sem reflexão (raciocínio). Só agora, folheando o sketch quase todo preenchido, vejo que esses rabiscos são reflexos (irradiação luminosa). E, de novo, reflito: o que me conduz, ou seduz, a escolher este e não aquele, esta ou aquela? 
Não sei. São reflexos. De alguma forma me vejo refletido. Também observo, mesmo sem entender, que tudo isso são fragmentos, reflexos dos sentimentos que ficaram ali registrados, agarrados, presos num pedaço de papel, um pedaço de humanidade.





'Agora, vemos como num espelho, de maneira confusa; depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido.'
Paulo, o apóstolo, poetizando sobre o Amor.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

'Aquarela é como mulher'

'Aquarela é como mulher'. Esta foi uma das frases do mestre Cárcamo para abrir o workshop de sábado passado em São Paulo. Em seguida, explicou sua perspectiva:
'Mulher precisa de atenção, de cuidado, de constante observação porque, do contrário, ela te deixa. O mesmo acontece com aquarela'.
Gostei da metáfora. Em minhas anotações acrescentei: Mulher e aquarela têm ligação direta com o tempo, com o ambiente, com sentimento e a delicadeza. Elas possuem brilho e luminosidade sedutora em seu aglutinante. Elas exigem equilíbrio entre algo comum, como a água, e o incomum químico como as multiplicidade de misturas. No fundo você nunca domina, nem uma nem a outra mas, se você for sábio vai se relacionar, aprender e crescer junto com elas. Além disso, tanto a mulher quanto a aquarela, sempre te surpreendem.

Por essas e outras, tive a honra de participar de um workshop com o grande mestre, Gonzalo Cárcamo.
Artista dedicado à aquarela com uma obra lindíssima e uma pessoa doce nesse 'mundo de marrentos'. Compartilhou um pouco de sua grande experiência e, de quebra pude conhecer um bocado de gente desse universo artístico. Já havia participado do curso com o grande Celso Mathias e de uma 'demonstração' feita pelo Renato Alarcão em seu Diário Gráfico. Achei interessante observar as diferenças de manuseio do material e a técnica de ensino de artistas gigantes como Celso Mathias e Cárcamo. Duas pessoas incríveis que carregam diferenças na expressão e preferências cromática muito particulares mas que afinam em algumas frases e posturas. Resolvi registrar conceitos apreendidos nessas experiências, para eu não esquecer:
1. A técnica, a arte exige dedicação e envolvimento
2. Não use cores puras. A natureza é feita da 'mistura'.
3. Ouse! Experimente! Se dê o direito e respeite o erro!
4. O segredo da aquarela é o suporte. Nada de papel vagabundo!
5. Aguce o olhar. Quem disse que o céu é só azul? Olhe novamente.
6. Foque no seu trabalho, em sua evolução. Nunca se compare a outros, você é único.
7. Qual o preço para 30 anos de dedicação que resultam em 30 minutos de pintura?
8. Olhe para o resultado do seu trabalho como um degrau, nunca como um pódio.
9. Cuide de seu material com ciúme e zelo.
10. Só se esconde o que se tem medo de perder! Dom é dádiva, presente. exercite!










sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Não farás imagem. Será?

Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, 
nem alguma semelhança do que há em cima nos céus,
 
nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; 
porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso.

Com certeza você já ouviu falar do mandamento 'não farás para ti imagem', não é? Será que é isso mesmo ou esse é um 'recorte' do texto? Se é um 'recorte' por que o interesse de retirá-lo do restante do texto que, na realidade é concluído no versículo seguinte? (em negrito) Creio que a questão não é o fazer ou não fazer imagens. A essência do texto, a intenção do autor é não tentar produzir imagens que substituam o que não pode ser substituído, que não haja esforço para dar contorno ao que não tem forma. Deus é Espírito.
É crendo no principio de que a Bíblia explica a própria Bíblia, é fácil entender esse argumento quando leio, no próprio texto de Êxodo, que Deus orientou Moisés a fazer imagem. Veja só:
Farás também dois querubins de ouro; 
de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.

E, no mesmo ambiente, ainda no deserto, temos o registro do Senhor orientando Moisés para a elaborar de uma escultura que reproduzisse uma serpente: 
E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; 
e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, 
quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.

Para reforçar ainda mais o raciocínio, foi o próprio Deus quem chamou e habilitou artistas para executarem a tarefa da construção e do desenvolvimento artístico de todo Tabernáculo - que metaforizava a presença dEle no meio do povo.
Disse então o Senhor a Moisés:
"Eu escolhi a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá,
e o enchi do Espírito de Deus, dando-lhes destreza,
habilidade e plena capacidade artística
para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze,
para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e
executar todo tipo de obra artesanal.
Êxodo 31.1-5
Desculpe mas não tem essa de 'não fazer imagem'. Deus, O Grande Artista, que mostra quem é pelo que fez e faz (Sl 19) não iria 'deletar' essa característica tão marcante do único ser que foi criado à sua imagem. Sendo assim, por que esse 'massacre' que recebi na igreja e que está tão enraizado em nossa cultura judaico-cristã? Tento responder pensando na História e nas 'ferramentas' de dominação humana. Para criar criar, para ser artista é necessário pensar. Nada mais fácil para 'os poderosos' que 'ensinar' e reproduzir muitas e muitas vezes uma 'meia verdade' de que não fazer arte é imposição da Lei divina. Em minha leitura bíblica não vejo razão nenhuma para esta interpretação. Muito ao contrário disso, Deus tem prazer em estimular à reflexão:
"Por que vocês se preocupam com roupas?
Vejam como crescem os lírios do campo.
Eles não trabalham nem tecem.
Ou como o próprio Cristo nos valoriza como seres pensantes;
"O que está escrito na Lei? ", respondeu Jesus. "Como você a lê? "

Quanto a mim, vou continuar louvando a Deus com o que tenho e sou. Só para deixar claro o que penso: Louvar é elogiar. Elogiar com a vida é imitar, é ter como referência. Adorar é expressar abertamente. Faço isso com um pouquinho de desenho, com minha arte, com a vida.

Coração do Artista 5

O coração do artista (parte 5 - fim)


Arte Bizantina – abstração e sonelidade


Arte Gótica – Grandiosidade divina- fragilidade humana
Catedral Sainte-Chapelle é uma capela gótica que fica em Paris


Arte Renascentista – o homem é a referência é a medida de tudo.
Deus fica em segundo plano. As referências cientifico-anatômicas são definidas. A busca e o retorno aos gregos e aos romanos na literatura, na arquitetura, nas artes plásticas.
Michelangelo – a criação

O Barroco – Reforma Protestante. 
O tema das pinturas deixa de ser os santos, deixa de ser Deus (Deus não pode ser retratado). Os pintores 'migram' para o retrato. O ser humano é a imagem de Deus e precisa ser dignificado como tal.
Rembrandt van Rijn (1606/1669) pintor holandês
Valorização da ciência e do retrato


Johannes Vermeer foi mais um dos grandes pintores da Escola holandesa (1632/1675) – O protestantismo vai valorizar o trabalho e apresentar o ser humano como agente divino no mundo. Trabalho, lucro, cientificidade no encontro com a leitura, no fazer e no dever.



Do outro lado a resistência às ideias da Reforma. Barroco da Contra-Reforma
O drama, a emoção, a teatralidade valorizando o sagrado, a Igreja.
As imagens são fáceis de 'ler', de sentir, de ver.


Caravaggio (1571/1610) pintor italiano atuante em Roma – Arte teatral e didática


Depois de um salto pelo Maneirismo o paradigma da arte é quebrado com a 
Arte Impressionista – Iluminismo e grandes descobertas. Pintar retrato quando surge uma tecnologia 'muito fiel' ao modelo - a fotografia. O que sobra para a pintura? A cor a impressão o registro do mundo fora do ateliê.


Monet (1840 /1926) pintor francês, dentre tantos, um grande marco do Impressionismo.
O quatro acima dá nome ao 'movimento' Impressão, nascer do sol'(1873), dá 'apelido' à Arte Impressionista.

Arte Expressionista – Existencialismo e a crise do homem. Deixando de se 'ancorar' em Deus, relativizado pela ciência o que é o ser humano?



Vincent Van Gogh (1853 /1890) mais um holandês.


Arte Surrealista – é preciso registrar os sonhos. A resposta está nos sonhos? Influencia de Freud e Charles Darwin.

Salvador Dalí (1904/1989) pintor espanhol

René Magritte (1898/1967) foi um dos principais artistas surrealistas belgas.


Arte cubista – tudo é rápido, dinâmico, poderoso. Sofre a forte influencia do cinema e os horrores da guerra. O ser humano é uma decepção.



Pablo Picasso (1881/1973), foi mais um dos grandes pintores vindos da Espanha.


Arte expressionista – o importante é gritar – uma reação ao positivismo


Edvard Munch (1863/1944), pintor norueguês


Arte dadaísta – a ‘morte’ da arte
Dada em francês signifique "cavalo de madeira", sua utilização marca o non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na fala de um bebê)

Marcel Duchamp (1887/1968) foi um pintor, escultor e poeta francês