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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Espaço para ser humano

Gosto do silêncio da reflexão.
Encontro isso em museus, bibliotecas, parques e, selecionando com critério, em alguns templos.
Espaço para ver, pensar, refletir. Espaço propicio para ser humano.
Nesta sociedade fluida, agitada, estressada, em que a humanidade está escorrendo para o ralo, deveríamos procurar refúgio em espaços deste tipo.
Creio que não é sem intenção o estímulo ao agito, à gritaria, ao 'sacolejo frenético'. Envolvidos nesse turbilhão fazemos muita coisa sem pensar.
Cresci num ambiente de muita gritaria, música alta, discussões intermináveis e gargalhadas esfuziantes. Este 'clima' só se alterava no domingo quando logo cedo íamos todos juntos à igreja. No caminho muita correria, disputas, falatório mas quando entrávamos no templo nada disso poderia ser feito. No espaço litúrgico tudo acontecia como 'slow motion'. As recomendações repetidas milhares de vezes já preparavam o comportamento da gurizada: "Vê se não corre menino!" E, não esqueça: Não pode falar menino!' Não esqueça nunca hein: Igreja é lugar de silêncio!'
Eu obedecia e como não dormia, ouvia.
Ouvia a voz grave e pausada do pastor, ouvia o canto coral...
Ouvia o piano, o sax, a flauta, o violino...
Mas, em meio a isso tudo, o que mais me encantava era ter um papel e um lápis na hora do culto.
Como toda criança faz, eu desenhava de tudo naquele tempo. É bom lembrar que não havia o 'culto infantil'. Bastou eu crescer um pouquinho que comecei a ser cobrado sobre o conteúdo das mensagens pastorais: "Vê se presta atenção no culto!" ou, 'você tem que parar de desenhar e ouvir o pastor!". E como as 'recomendações' não tiveram poder  suficiente para eu largar o papel, comecei a ser cobrado sobre o conteúdo das mensagens. Foi exatamente assim que aprendi a anotar os resumos do sermão. Hoje, relendo e revendo o que fiz ontem percebi que ainda guardo algumas manias de criança.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Inteligências múltiplas

Você já ouviu falar em inteligências múltiplas?
Esse conceito virou teoria a partir dos estudos de Howard Gardner, na década de 80. E aqui, em "terras tupiniquins", de forma intuitiva, o conceito das múltiplas inteligências mudou minha vida e me ajudou muito a melhorar a autoestima. Como foi que isso aconteceu? Eu conto.
Você sabe que antigamente o 'mais inteligente' na escola era o aluno que tirasse as melhores notas em matemática. Sempre fiquei muito, muito, muito, muito longe disso. Eu nunca fui esse 'cara'! Então, você deve imaginar que um 'negrinho' apaixonado por artes sofreu um bocado para ser aprovado nessa matéria. A maior motivação para eu terminar, o que agora chamamos de Ensino Médio, foi saber que 'nunca mais' iria ter que 'aturar' matérias como Matemática, Química, Física e suas parceiras. Agora você deve estar perguntando: o que a teoria das múltiplas inteligências tem com isso? 
Tem tudo amigo. 

Toda a nossa ciência, comparada com a realidade, 
é primitiva e infantil - e, no entanto, 
é a coisa mais preciosa que temos' .
Albert Einstein

Uma teoria é uma realidade prática, experimentada. Testada, aprovada, escrita sob a norma científica e 'carimbada' num papel e divulgada na comunidade de acadêmicos. 
Pois bem, encharcado de amor e uma pitada de sabedoria popular de minha mãe, e de um pequeno grupo de professores desse período, aprendi na prática, a teoria das múltiplas inteligências. Vez por outra eu ouvia: 'nem todo mundo é inteligente em tudo'. 'Você pode não ser inteligente em matemática, mas tem boas notas em história, teatro, interpretação de texto, e em desenho. Dona Eva ainda argumentava de forma lógica: Meu filho, a diretora pede até ajuda para você fazer o desenho do mural, não é?" Fui envolvido com muito carinho, sobrevivi, e estou aqui contando essa história. Pois imagine a surpresa que tive quando, na segunda graduação, ouvi falar dessa teoria desenvolvida na Universidade de Harvard. Logo de estalo pensei: 'mamãe já sabia!". E ainda tem outra:
Eu era aluno de um seminário teológico. A teoria nem existia no papel, quando um desses professores atenciosos, que passam em nossa vida me aconselhou fundamentado em interpretação das Escrituras que Deus não 'vocaciona' somente os pastores. Era o que eu precisa ouvir naquela momento. Foi a própria 'voz divina'. Depois disso saí da 'escola de pastores' e, escandalizei 'meio mundo':fui fazer Licenciatura em Artes Plásticas! Olha a teoria do Gardner aí de novo!
Agora, depois de tanto tempo, me reencontrei com este professor do seminário teológico. O mestre Silvino Netto escreveu um livro infantil justamente sobre as Múltiplas Inteligências e eu estou vivendo o prazer de fazer as ilustrações desta obra.






terça-feira, 25 de agosto de 2015

O 'vocalize' das artes plásticas

Hoje completei todas as folhas de mais um sketchbook.
O curioso é que tenho alguns que foram deixados de lado mesmo com folhas em branco. Por quê? Sei lá! Encheu o saco, virou a folha do calendário, passou a fase, não sei. Não tem mesmo explicação. Alguns deles, depois de um tempo, fico com vontade de retomar e completar. Mas, vamos deixar isso pra uma outra postagem.
Hoje completei todas as folhas desse sketchbook e, não por acaso, lembrei dos tempos em que ensaiava no coral da faculdade. Cantei em vários grupos na igreja, participei de cantatas de natal, mas aquele grupo coral do Bennett era muito mais 'profissa'. Além disso, minha volsa como estudante, estava atrelada aos ensaios e não as apresentações. Achava isso curioso, mas logo que comecei a ensaiar, entendi que ensaio ali era uma outra atividade. O nome era o mesmo mas a formatação, o envolvimento, a seriedade eram bem diferentes. O regente era um 'cara' pra lá de competente e o repertório desafiador. Cantamos MPB, Clássicos Corais na língua original e arranjos folclóricos. A presença era assinada no momento do tal 'vocalize'. A regra era: sem vocalize, sem ensaio. Sem ensaio, sem presença. Sem presença, sem bolsa.
Vocalize é o 'aquecimento' das cordas vocais que ocorre quando cantamos. A maioria das vezes ele é feito sem pronunciar palavras. O mais sedutor é ir passeando pelas notas, pelas escalas. É irmos de uma nota grave e fazermos a trajetória até chegarmos aqueles tons mais agudos. E quando o Sidney, o regente, misturava os naipes? Que coisa linda que ficava. A gente terminava o vocalize 'doidinho' para cantar. Eu notava com extrema clareza as mudanças de timbre e os tais 'registros vocais'.
Posso estar cometendo uma heresia mas creio, que um sketchbook é bem parecido com o tal vocalize. A gente 'rabisca' sem compromisso com a aprovação do cliente. No sketch dá pra experimentar a tessitura do traço, dá para observar o enquadramento incomum, deixar fluir sem 'briefing'. É experimentar a encomenda do coração! Fazer ou não é escolha pessoal.



















sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Um 'moleque grande' na Escola Pública


Ontem, 11 de agosto, vivi novamente um momento desses. Desta vez o desafio foi durante todo dia. Larguei o escritório e fui 'rabiscar' com as crianças. Meu Deus que dádiva!! O dia inteiro na Escola Municipal Poeta Mario Quintana, em Jacarepaguá. Em parceria com a Editora Jovem, convidado pelo autor Alcides Goulart, revivi o tempo bom de 'moleque da escola pública'. Algumas vezes via alguns como se estivesse diante de um espelho, um espelho do tempo. Sensacional ver uma escola onde as coisas funcionam. As crianças tem limites, o espaço é comunitário e a vocação-habilidade de cada professor fica evidente. Parabéns a professora Regina Coeli Blunk Mafioleti e toda equipe da Sala de Leitura. Cansativo, muito cansativo mas extremamente estimulante.





























sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Oração de pai

"Papá", normalmente, é a primeira expressão fonética de uma criança.
As mamães que me perdoem, mas é fácil relacionar este balbucio com a palavra papai.
Pai, num primeiro momento, é o ‘estranho’ na relação tão íntima entre mãe e filho.
O ‘estranho’ vai se identificando e se transformando em ícone da ‘Lei’.
A Lei é estranha mesmo. É um conceito moral, uma construção social.
Mas pai é mais, muito mais do que um ‘ícone de Lei’.
Pai é, também, muitas vezes, ‘simbolo de força’.
Na perspectiva do filho, a ‘força’ está do lado de fora.
Sob a ótica do pai, a força é esse poder que traz para perto, que carrega no colo, que abraça, ao mesmo tempo a mãe e o filho. A força transforma o estranho em entranha.
A grande força está dentro. Força vira motivação. Motivo e ação. Trabalho e realização.
Tudo muito lindo no conceito, no discurso.
Pai é, na verdade, um menino que se transformou em homem.
Pai é muito mais do que um homem que reproduziu.
Pai é um menino que cresceu e não esqueceu.
Por isso pai, pai de verdade mesmo, é o homem que preserva o menino.
Aí brinca, ri, chora, grita, teatraliza, compete, corre, risca, canta, conta, toca...
Pai é referência sempre.
Referência para o bem e para o bom. Referência para o mal e para o mau.
Tenho medo disso e oro: Pai nosso. Logo lembro que Jesus nos ensina a chamar Deus de pai.
Isso aumenta a coragem, mas não anula completamente o medo.
Só com o amor do Pai, só nos braços do Pai, lanço fora o medo.
A lei se converte em graça, a força em ação e oração:
Pai, renova a consciência de que as palavras sussurram e a vida grita.
Pai me ajuda a ser pai.


Foto de Solmar Garcia

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Histórias que Jesus Contou - 4

Este grupo de quatro revistas fecha um ciclo.
São 16 ilustrações destacando Histórias que Jesus Contou.