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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Desenhos, algumas vezes, são como orações.

Desenho de observação feito em 1986. Lápis 6B sobre papel Canson.
Madrugada, depois da aula, em frente ao espelho 'emprestado' do banheiro.

Desenhos, algumas vezes, são como orações.
Quanto mais fiel à representação, quanto melhor a cópia, maior a falsidade.
É verdade. Desenhos 'perfeitinhos' mentem.
E é o tipo de mentira que todo mundo ama.
É preciso muito domínio da técnica, de educação do olhar, de aprendizado na escola para fazer um desenho 'igualzinho' a foto, à outra imagem.
Algumas orações, especialmente em público, são assim. Perfeitinhas.
Mas desenho de observação é diferente.
Desenho de observação é único. Sempre único. Sempre verdadeiro.
Desenho de observação exige escolha do ponto de vista. Desenho de observação impõe foco. Não se pode, num desenho de observação, deixar-se levar pelo ambiente. E a luz? A luz num desenho de observação ela é determinante.Quando se faz desenho de observação o volume, o peso, a massa, são contornados e definidos pela luz. A luz do momento, do ambiente. Neste tipo de desenho é impossível copiar de outro. É seu. Só seu. Cada ponto de vista é único. Único pela perspectiva, único pela luz, único pela expressividade.
Orações são como desenhos, desenhos de observação.
Fechamos os olhos na oração porque observamos o invisível, o que está dentro.
O desenho mente porque ilude. O desenho mente porque reduz. O desenho mente porque é o resultado de um processo muito maior.
A oração mente porque ilude. A palavra na oração reduz. A oração mente quando dita porque é resultado de um processo muito maior.
Todo mundo de certa maneira desenha.
Todo mundo de certa maneira ora.
Infelizmente isso está morrendo. Tanto um quanto outro.
Desenhamos nossa assinatura. Desenhamos palavras quando as escrevemos sem o teclado. O teclado é frio, uniforme, comportado. Palavra escrita no atrito de caneta no papel é outra coisa.
Oramos quando observamos o que está dentro, nossa assinatura. Oramos quando estamos distantes do 'prédio sagrado' e assumimos o papel de templo. Oração no silêncio do quarto é outra coisa.
Por que orações são como desenhos?
Orações comportadas, certinhas, são quase rezas. A gente aprende.
Orações deveriam ser mais parecidas com desenhos, desenhos de criança.
Expressões sem interpretação. Expressões livres como desenhos num sketchbook.
Orações e desenhos se desenvolvem, de verdade, na intimidade, na convivência.
Lápis e papel. Eu e Deus. Quem escreve? Quem descreve? Quem é suporte de quem?
Desenho se faz em parceia. Desenho aparece no atrito. Na convivência do lápis e do papel.
Oração também. Oração, de verdade só é encontrada na intimidade, no gemido, no quarto secreto, na não palavra.
O desenho verdadeiro denuncia o artista.
A oração verdadeira revela o adorado.
O desenho se faz sozinho a oração também.
O desenho pode ser visto e admirado por todos mas nasce na intimidade da solidão.
A oração não pode ser vista mas os resultados são observados na vida do adorador.

Desenho adeus a Rubem Alves

Estou de luto. Com a morte a gente não de conforma. Na morte a gente se consola. Neste caso meu consolo se transforma em gratidão. Rubem Alves é daqueles autores que conversava comigo.Seus textos me faziam passear. Passear e ver, ver e refletir, refletir e desejar viver para observar melhor a vida. Rubem não escrevia, pontuava. Rubem Alves me parecia um parente querido, meio tio, meio avô. Algumas vezes me sentia sentado no chão da varanda ouvindo sua voz grave, propondo reflexões profundas... outras vezes me tomando na mão, me levava para sentir gotas de chuva ou cheiro de mato. Quantas passagens em seu quarto de badulaques, seus jardins... Me consolo agradecendo. Minha gratidão a Deus pela intimidade tão distante, pela magia das palavras que me conduzem ao utopia e me trazem à humanidade. Minha gratidão pela paleta com múltiplos tons de esperança na educação. Minha gratidão as caraminholas que conduzem a um Deus que vai além (transcendente) e ao mesmo tempo tão próximo (imanente). Hoje fiquei pensando porque estou tão triste se nem conhecia Rubem Alves pessoalmente. Ai lembrei de um sepultamento em que meu amigo disse: quanto mais próximo mais sofrimento. Acho que é isso. Me fiz próximo, muitas vezes olhei com os olhos de Rubem Alves. Fiz o desenho ontem, mergulhado na intercessão. Comecei pensando fazer um desenho em aquarela pela leveza, a luz refletida que a técnica propicia. Não consegui. Aquarela é tinta diluída em água e meu coração já estava marejado. Agarrei a sanguíniea (um espécie de lápis-giz vermelho) e fui esfregando, como quem sofre, como quem grita, como quem clama. Defendo, e não é de hoje, que poetas são parecidos com profetas. A Beleza é mesmo divina!! Muito obrigado Senhor pelo Rubem Alves!!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Angústia e trabalho

Voltei às pesquisas com papel kraft e o reciclato.
É preciso disciplina para estudar e desenvolver-se.
Isso vale para arte e, na realidade, para todas as dimensões da vida.
O retorno ocorre porque estou mergulhado no trabalho. Correndo para não ser atropelado pelo relógio e seus prazos. Vivo atendendo às exigências dos clientes para ter retorno financeiro e, com isso, suprir as naturais necessidade de sustento.
Algumas vezes tenho que deixar de lado minhas pesquisas, meus estudos.
Trabalho e prazer muitas vezes se confundem no meu exercício diário.
É claro que isso é agradável mas também é angustiante.
O prazer é enfrentar desafios.
Agora mesmo tenho que resolver a ilustração de capa da revista Sorriso que trata de amizade.
A angústia está em encontrar organização, definir prioridades e, dar ordem ao espelho: 'Pare de fazer isso! A prioridade é esta aqui!!
Preciso aprender a dizer 'não'. Preciso aprender a 'focar'. Preciso deixar de lado, como dizia um chefe ranzinza: 'a masturbação mental'.
Quero aprender. Isso exige tempo. Fazer e refazer de forma melhor.
Sempre lembro do meu primeiro chefe: "é o melhor que você pode fazer?". Aí eu voltava à prancheta para pensar em outra alternativa. Dói, algumas vezes ter que 'deletar' isso.
Aí, sabe o que acontece? Fico com uma pilha de trabalhos que são apelidados 'pesquisas e projetos'.
Não há remédio elaborado pelos farmacêuticos. O remédio, a cura, a doença e a 'praga' estão em mim.
Exigir menos? Produzir sem essa angustiante consciência? Impossível.


domingo, 15 de junho de 2014

Haggai - Convictos - Criança grande, mania antiga

Quando criança desenhava meu pastor durante as mensagens. Meus professores pensando que eu não prestava atenção me cobravam o texto lido e, em algumas ocasiões o conteúdo da mensagem. Por ter 'sofrido este castigo' acabei criando um hábito que mantinha escondido até aprender a usar 'óleo de peroba' artístico (kkk). Fim de semana no Haggai. Muito aprendizado, reflexão e balizamento na missão. Foco na epístola aos Romanos. Minhas anotações, meus rabiscos.






Meu remédio, graça divina


Se permaneço aqui devo graças a Deus pela investigação dos cientistas médicos que descobriram a droga que equilibra meu organismo na doença. Como não atribuir isso à Graça divina? Louvo a Deus também pela sabedoria que ele deu á minha médica - Dra Célia Serra. E, por incrível que pareça, agradeço a Deus porque de de alguma forma, às políticas públicas que disponibilizam esta medicação que não teria condições financeira de adquirir. Por isso louvo a Deus desenhando, enquanto espero a medicação. 
Mais um dia de espera do abençoado remédio 'Micofenolato de mofetila na Rio-farmes.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dois lados de uma mesma estrada


Longe de mim reduzir a Arte a uma função.
É claro que reduzir a expressão artística ao conteúdo teológico seria uma heresia em dupla dimensão.
Arte e Teologia.
Tanto uma como outra são formas de expressar, em diferentes perspectivas, o que é digerido e processado na cultura em que se está inserido.
            "Suas cabanas existem tanto
            para abrigá-los da chuva do vento e do sol,
            quanto para protegê-los dos espíritos
            que produzem tais fenômenos." - Gombrich

Trilhar essa estrada observando de um lado a Teologia e de outro a Arte exige do observador absoluta honestidade para admitir que qualquer tentativa de registro do que se observa é redução. Aceitando como verdadeira a premissa do frei Leonardo Boff de que 'todo ponto de vista é a vista de um ponto',espero que fique claro, que tudo que eu registrar nessas postagens, não passa de de um ponto. Um ponto, um registro através de minhas lentes. Como regra então, outras observações podem e devem ser feitas durante o percurso de todos que se interessam e encaram essa estrada.
Admitir a existência dessa trilha entre Teologia e Arte é o primeiro passo para tentarmos mergulhar, e recuperar fragmentos do sentimento humano, o que nos é natural, que impulsionaram o registro de obras - Arte - e as reflexões e dogmas - Teologia - de um período específico.
Relendo Gombrich percebi que nas entrelinhas de sua História da Arte, mesmo sem ser sua intenção primeira, o autor compara as pinturas rupestres com a função dos 'bonecos de vudu' ou a prática de 'malhar o Judas' no sábado de aleluia. Bastou isso para instigar a curiosidade, a procura de um mapa que indique a existência dessa tal estrada que tem de um lado a Teologia e do outro a Arte.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ilustração é coisa de gente

Gente. É o que queremos ser. É o que buscamos. Gente é que faz o mundo girar. Gente é o que faz a diferença. Gente é plural, é coletivo. Gente é grupamento de pessoas. Gente é humanidade. Quando digo, quero ser gente, estou querendo encontrar semelhança. Gente é encontro.


Talvez também por isso ilustração assinada esteja nos grandes veículos de comunicação.
Digo ilustração assinada porque há desenho-carimbo. Há o clipart. Existe a prática do 'Ctrt+C e Ctrt+V", da cópia, do não autorizado.
Pinceladas, textura de giz, borrões de nanquim, canetadas soltas, o erro é o que nos caracteriza humanos.
Voltamos a encontrar beleza no que extrapola o limite, voltamos a buscar gente. É. Se há possibilidade do erro, há alguém por traz disso, há um artista envolvido no processo.