Estive quatorze dias internado sem internet, sem tv, e até mesmo sem desenhar. Obrigatoriamente tive que conviver comigo (como é isso?) e refletir, repetir o que está decorado e ainda lembrar de tantos conceitos que me afetam. Fui, durante este período, cercado de carinho, inundado de afeto e, quando terminavam as visitas, lembrei do texto de Paulo: 'Ninguém vive para si mesmo'. Creio que o raciocínio é o mesmo encontrado na letra de Tom Jobim, '...fundamental é mesmo amor, é impossível ser feliz sozinho'.
Gosto de músicas e também de histórias. Talvez por isso seja tão bom lembrar de histórias mitológicas. Os mitos nos ensinam a essência da vida e estão cercados de simbolismo. Infelizmente nossa sociedade aprendeu a rotular o que é mitológico a `historinha sem valor`.
Em contraste com o que ocorreu comigo lembrei de Narciso.
Segundo Ovídio, Narciso era um rapaz plenamente dotado de beleza. Seus pais Céfiso, o deus do rio, e sua mãe, a ninfa Liríope, foram consultar o oráculo Tirésias para saber o destino do menino. Tirésias profetizou que o belo menino teria uma vida longa desde que nunca visse seu próprio rosto.
Narciso cresceu cheio de beleza, orgulho e arrogância. Todos à sua volta eram desprezados e este comportamento fez com que as ninfas suplicassem a vingança de Afrodite. A deusa condenou-o a sentir o gosto do desprezo e, além disso, nunca tocar o ser amado. Narciso, todo mundo sabe da história, parou diante de um riacho de águas tranquilas e acabou apaixonando-se por seu reflexo. Não conseguiu tocar o reflexo e terminou morrendo encantado por sua própria beleza. Depois de morto, transformou-se na flor que leva seu nome.
Narciso vem de 'NARKE', donde ver narcótico e daí surge entorpecente.
Narciso não consegue ir além de si mesmo. É impossível entender-se sem a experiência com o outro, especialmente o 'totalmente outro'.
Será que estamos todos fazendo o tal 'giro narcísico' como o professor Guilherme de Carvalho ensinou?
É preciso observar como nossa sociedade ama um 'selfie'. Aprendi que esta palavra é um neologismo com origem no termo self-portrait, que significa autorretrato.
Gosto de músicas e também de histórias. Talvez por isso seja tão bom lembrar de histórias mitológicas. Os mitos nos ensinam a essência da vida e estão cercados de simbolismo. Infelizmente nossa sociedade aprendeu a rotular o que é mitológico a `historinha sem valor`.
Em contraste com o que ocorreu comigo lembrei de Narciso.
Segundo Ovídio, Narciso era um rapaz plenamente dotado de beleza. Seus pais Céfiso, o deus do rio, e sua mãe, a ninfa Liríope, foram consultar o oráculo Tirésias para saber o destino do menino. Tirésias profetizou que o belo menino teria uma vida longa desde que nunca visse seu próprio rosto.
Narciso cresceu cheio de beleza, orgulho e arrogância. Todos à sua volta eram desprezados e este comportamento fez com que as ninfas suplicassem a vingança de Afrodite. A deusa condenou-o a sentir o gosto do desprezo e, além disso, nunca tocar o ser amado. Narciso, todo mundo sabe da história, parou diante de um riacho de águas tranquilas e acabou apaixonando-se por seu reflexo. Não conseguiu tocar o reflexo e terminou morrendo encantado por sua própria beleza. Depois de morto, transformou-se na flor que leva seu nome.
Narciso vem de 'NARKE', donde ver narcótico e daí surge entorpecente.
Narciso não consegue ir além de si mesmo. É impossível entender-se sem a experiência com o outro, especialmente o 'totalmente outro'.
Será que estamos todos fazendo o tal 'giro narcísico' como o professor Guilherme de Carvalho ensinou?
É preciso observar como nossa sociedade ama um 'selfie'. Aprendi que esta palavra é um neologismo com origem no termo self-portrait, que significa autorretrato.
sketchbook caneta bic e lápis de cor
NARCISO E EU
ResponderExcluirNarciso em joelhos,
está cativo
do meu olhar
Vejo em espelhos
um sonho altivo,
de apaixonar.
Olho pra frente,
além do mito,
em terra ou mar.
Sou diferente,
já não o imito:
vou poetar [desenhar]!
Sensacional José Brito! Muito obrigado. É uma honra ter você por perto.
ResponderExcluir